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As plantas Imprimir E-mail
Simone Nardi
Dom, 15 de Março de 2009 13:20

Vamos tocar num assunto muito conhecido dos vegetarianos/veganos: as plantas. Esse tema não é novo, em 20061 escrevi um pequeno ensaio que rodou a internet e incentivou alguns amigos a pensarem sobre o assunto e hoje, alguns anos depois, posso ver como ainda desconhecia muita coisa, por isso é preciso muito cuidado com o que vai ser respondido, pois nosso futuro pode sempre mudar. Muitos estudos já se baseiam na inclusão delas em nossa esfera moral2 e, embora possa parecer complicado, não é impossível que tal fato venha há ocorrer daqui a alguns anos. Mas a questão das plantas continua sendo uma das melhores "armas'" de defesa para pessoas que se negam a aceitar o fato de que os animais sofrem ao serem explorados. A grande maioria, não sabendo como se defender do que é obvio frente aos olhos de qualquer pessoa, mas que as assusta ao ponto tentarem ridicularizar os próprios amigos, indagam sempre a mesma coisa: "Vocês não comem animais, mas e as plantas, afinal, elas também são seres vivos e sentem dor!?" Mal sabem elas que armam uma perigosa armadinha contra si mesmas, porque desconhecem tal assunto, e porque uma ética para as plantas, exige antes do que qualquer outra coisa, uma ética para com os animais.

Até quando vamos buscar por uma ética antropocêntrica, centrada no homem, enquanto que a verdadeira ética jaza moribunda debaixo do nariz de cada um?

Não comemos animais somente porque sabemos que eles sentem dor ou prazer, mas porque, tal como nós, possuem o interesse em permanecerem vivos. Não sabemos ainda se as plantas sentem realmente dor, mas sabemos que elas possuem uma singularidade conosco e com os animais: o mesmo "desejo" de permanecerem vivas. E o Biocentrismo acata a esse "desejo", colocando-as como seres aceitáveis dentro de nossa comunidade moral. É, porém, uma nova ética a ser ainda estudada, debatida e compreendida, mas demonstra o avanço rumo à moralização humana, moralização que se iniciou há muitos séculos atrás quando deixamos de acreditar que as mulheres não possuíam alma, depois os negros, os indígenas e agora com a recusa a exploração animal, é assim que a ética trabalha, mudando a moral e as antigas tradições, restaurando e mudando conceitos, dando mais eticidade aos seres para que possam conviver em harmonia com o Planeta.

A questão, para o momento, pois nem todos conseguiram alcançar o grau biocêntrico ainda é: as plantas sofrem tanto quanto os animais? Cientificamente já foi comprovado que animais em geral, e vamos frisar aqui os peixes que algumas pessoas insistem em dizer que sofrem menos, todos sentem dor, sentem medo e fogem daquilo que os ameaça. Todos buscam pela preservação da vida, ao menos nesse primeiro momento é incomparável a dor que notamos nos animais diante da comparação que podemos fazer com as plantas. Porém, ao contrário do que possamos ter lido ou ouvido falar, as plantas não são como objetos, pratos, talheres ou carros. Elas buscam a melhor forma de viver, de sobreviver ao meio que as cerca, evoluíram assim como os animais num território extremamente feroz e competitivo e são, também como os animais, seres pluricelulares3 que também, ao contrário do que achávamos há alguns anos e do que muitos ainda hoje insistem em dizer, não são seres totalmente inertes e passivos diante das agressões externas que possam vir a sofrer, sejam doenças ou insetos, pois desenvolveram mecanismos de defesa que são acionados diante de qualquer agressão. O fato de não poderem fugir quando são queimadas, por se tratarem de organismos sésseis4, não significa que estejam totalmente impassíveis ou que sejam seres inanimados diante de determinadas ameaças. Como as víboras, escorpiões e aranhas, as plantas também possuem seu próprio arsenal químico, com venenos tão tóxicos que podem, igualmente aos de aracnídeos e serpentes, levar os animais humanos a morte se houver desrespeito em relação a elas. O mecanismo pelo qual elas reconhecem as agressões talvez ainda não esteja totalmente descrito, porém, apenas o fato de sabermos que elas buscam esses mecanismos, que buscam o Sol para realizarem a fotossíntese a fim de continuarem vivendo, já deixa claro que não são objetos inanimados. Evoluíram, cada qual ao seu tempo, de folhagens apenas, para flores, porque descobriram a necessidade de se tornarem chamativas aos insetos que as polinizam, criaram cores e odores, e ainda evoluem.

A grande maioria das pessoas ainda não consegue vê-las como seres vivos, mas apenas como artigos de paisagismos, desconhecendo e desrespeitando muitas vezes suas reais necessidades de sobrevivência (reprodução, defesa a agressões, respiração, etc.). O conhecido diretor de cinema M. Night Shyamalan, contou numa entrevista, que antes de realizar seu filme "Fim dos Tempos", estudou sobre os mecanismos das plantas e ficou surpreso ao descobrir como elas, esses seres vistos como inanimados, reagiam diante de ameaças e como haviam desenvolvido sistemas incrivelmente complexos para lidar com problemas:

"Um campo de algodão, por exemplo, ao ser atacado por um parasita por um dos lados, envia um sinal para o outro para avisar a tempo que está sendo atacado e para que as plantas do lado de lá liberem algum tipo de substância química contra os predadores. É um sistema de comunicação impressionante. "

De onde provém essa estratégia de defesa das plantas, seja por barreiras físicas ou químicas5? A excreção de substâncias, a produção de enzimas, proteínas e de fitoalexinas6? É inegável que as plantas demonstram vida ao crescerem, se desenvolverem e reagirem diante de estímulos exteriores, retorcendo-se para escapar da escuridão em busca de um raio de Sol, da qual dependem para sobreviver. Sua interação com o mundo se dá através das cores de suas flores, algo que desenvolveram ao longo de sua evolução conforme suas próprias necessidades, dos espinhos que afugentam, das toxinas, da doçura de sua seiva que lhes permite a polinização através do pólen e de sementes, da sinalização através de odores repulsivos ou adocicados, uma complexidade que não pode ser totalmente ignorada; diante dessa luta pela autopreservação até mesmo a senciência acaba se tornando irrelevante7, descobrir como lutam para sobreviver, como conseguem se comunicar com outras a distância, mesmo que através de agentes químicos ou elétricos para que não sejam devoradas, é uma coisa a ser totalmente desvendada pela biologia; até pouco tempo havia quem achasse que os animais também não eram sencientes, ou seja, não sabemos tudo, não podemos julgar o que desconhecemos, não sendo possível afirmar que a planta não tenha qualquer interesse, posto que para sobreviver ela se aperfeiçoa, se protege e se torna mais atrativa, tudo com um propósito, o que a leva a isso ainda nos é desconhecido. Se usarmos da senciência para separarmos o que deve viver ou não, cairemos na mesma questão que levou Peter Singer a ser proibido de realizar palestras na Alemanha por defender a senciência como base/cisão, criando uma brecha para que fossem aceitos tanto a eutanásia quanto o aborto, por tratar-se nesse caso, do feto ainda não ter interesse nem ser senciente, e não podemos esquecer que até pouco tempo, muita gente também afirmava que os animais igualmente, não tinham qualquer interesse, apenas existiam.

"Embora o feto, depois de certa altura seja capaz de sentir dor, não há fundamento para julgá-lo racional ou autoconsciente. [...] bebês humanos não nascem conscientes nem capacitados a entender que existem no tempo"

Não queremos comparar as plantas com animais, sejam eles humanos ou não-humanos, o interesse aqui é apenas demonstrar que a senciência não é mais uma fonte tão segura para nos espelharmos na defesa da vida em si. Será que já compreendemos tão bem assim o significado da frase: "Valor da vida"? Antes nossa compreensão nos permitia dizer que apenas a vida humana possuía valor, com o tempo descobrimos que a vida dos animais igualmente possuía valor, aos poucos o Biocentrismo nos mostra que qualquer vida possui bem inerente8, sendo assim, nos surge outra questão: assim como a razão foi um dia a fronteira entre homens e animais, por que hoje, apenas a vida dos sencientes deveria ter valor? Será que alcançamos um patamar de conhecimento tal, que a senciência deva mesmo ser a última fronteira a definir o limite para a expansão de nossa comunidade Moral?

"A Terra é um estágio muito pequeno numa vasta arena cósmica. As nossas presunções, a nossa imaginada auto-importância, a ilusão de que nós temos alguma posição privilegiada no universo são desafiadas por este ponto de luz pálida". (Carl Sagan)

Esse mesmo astrônomo também afirmou um dia, que as plantas eram nossos parentes distantes, e que nós e os animais nada mais éramos do que simples parasitas delas.

"As plantas são o resultado. [...] os animais, tal como os seres humanos, são parasitas das plantas. "

E um pouco mais adiante ele prossegue, numa frase que seria própria a moral e a ética biocêntrica, embora ele mesmo ainda não o fosse.

"Houve o surgimento de uma organização celular semelhante às células atuais, que se tornou o ancestral comum de plantas e animais; o que implica em um distante grau de parentesco entre o ser humano e as plantas que o rodeiam. Logo, quando o homem corta uma árvore, está destruindo um parente distante; ou próximo [...] Nós, seres humanos, parecemos bem diferentes de uma árvore. Sem dúvida, percebemos o mundo de uma maneira bem diferente de um vegetal. Mas no fundo, no íntimo molecular da vida, árvores e nós somos essencialmente idênticos. Consideremos a enorme diversidade de formas de vida na Terra, todas compartilhando do mesmo planeta e de idêntica biologia molecular."

Ou seja, apesar da diversidade de seres que existem nos mais variados reinos, todos apresentam o mesmo material genético que proporciona o bom funcionamento da vida. Não seria o caso então de revermos antigos conceitos, de fazermos uma limpeza moral, ética e estrutural em nós mesmos? Uma revisão na busca pela verdade que nos faça, de certa maneira, abandonarmos qualquer conhecimento que possa nos trazer o mais leve erro interpretativo, afinal, o biocentrismo já colocou a senciência em dúvida; Seria mesmo ela a última barreira? Será que ainda devemos, como Aristóteles e Descartes, continuar acreditando que a razão é o que nos separa dos demais ou que somente porque pensamos é que existimos? Sabemos que esses mesmos pensamentos culminaram em maior desrespeito pelos animais e que ainda hoje, são os principais responsáveis pelo especismo, afinal, como os animais não possuíam uma linguagem falada significava para Descartes, que também não pensavam, não conseguindo pensar, nada mais seriam do que máquinas insensíveis9. O que nos leva a notar claramente que muitos hoje possuem essa mesma visão em relação às plantas por elas não "sentirem", não se locomoverem e não pensarem; mais uma vez repetimos pensamentos antigos em relação a seres que ainda desconhecemos. Fica ainda mais fácil notarmos a comparação ao colocarmos o pensamento de Descartes sobre os animais e posteriormente o compararmos com o que hoje, muitos autores se referem quando tratam do assunto "plantas".

Para o filósofo, os animais não eram seres autoconscientes, não possuíam faculdades cognitivas ou linguagem inteligível, não possuíam interesse e nem sabiam que existiam no mundo; Descartes por sua vez, evitava usar o termo "animais" para cães, gatos ou macacos, que eram rotulados por ele como "bestas", que nada mais eram do que seres autômatos mecânicos - embora, como nas plantas, fosse perceptível um "comportamento intencional" como o de buscar comida ou reagir ao perigo - o que causou uma perturbadora implicação no uso dos animais: "Com efeito, no século subseqüente ao da morte de Descartes, seus seguidores celebrizaram-se pelo tratamento cruel que davam aos animais no curso da pesquisa experimental em fisiologia; sabemos que o próprio Descartes praticava a vivissecção com aparente serenidade". (Dicionário Descartes de John Cottingham)
 
"Parece seguir-se daí que, uma vez que os animais não são coisas pensantes, são eles meras massas de matéria extensa - complexos, é verdade, na organização de suas partes, mas completamente destituídos de qualquer coisa a que se pudesse chamar consciência. A importância da linguagem, como "o único sinal seguro de pensamento interior", foi salientada por Descartes como crucial evidência da ausência completa de pensamento nos animais. " (Dicionário Descartes de John Cottingham)

Muitos autores hoje colocam o mesmo sobre as plantas e ensinam veganos e vegetarianos a pensarem assim, o fato de não sabermos como reagem nesse caso parece não ser levado em consideração, elas são consideradas seres desprovidos de qualquer interesse e consciência, o que as torna seres insensíveis e para alguns, inanimados, quase objetos, se antes havia a teoria do animal-máquina, hoje as plantas tomaram esse lugar e se tornaram plantas-máquinas; mesmos pensamentos para outros seres singulares10. Se antes a razão dividia os seres, hoje a senciência é que ocupa esse lugar, mas então nos surgem novas e novas indagações: se a planta busca o Sol para poder sobreviver, o faz "mecanicamente" ou porque reconhece, de alguma forma, que o Sol lhe é benfazejo? Se "reconhece" é porque seria senciente? Se lhe é possível reconhecer as ameaças a sua sobrevivência, o faz de que modo? Como se comunica, como "sente" essa necessidade de expelir odores ou criar espinhos para se defender? São questões que ainda estão sendo estudadas e que não nos permitem afirmar categoricamente, que sejam realmente seres desprovidos de qualquer sensibilidade.

"Se a capacidade racional, a linguagem conceitual e o pensamento lógico forem critérios morais distintivos, isto é, indicadores de quem é digno de consideração moral, ou não, esses critérios excluem do âmbito da comunidade moral não apenas todas as espécies vivas não-humanas, mas também muitos humanos que não possuem as habilidades típicas, ou que já as perderam, por doença, idade ou acidente. Considerando-se que a ética e a justiça são a expressão máxima da razão humana, norteada pelo princípio da igualdade, a discriminação moral de seres semelhantes, por parte dos humanos, deve ser questionada. " (Sonia T. Felipe)
 
"Nem a racionalidade nem a capacidade para sentir prazer e dor me parecem condições necessárias (embora possam ser suficientes) para a consideração moral. (...) Nada menos que a condição de estar vivo me parece um critério plausível e não arbitrário. " (Kenneth Goodpaster)

O fato de aceitarmos que um ser tão renegado quanto às plantas possa um dia vir a ser respeitado como um ser que busca a vida, nos trará ainda mais força na lua pelos Direitos Animais, já que os animais são seres sencientes, que se movimentam, que fogem da dor, que buscam carinho. Ao aceitarmos que sim, como nos dizem os onívoros, que as plantas sofrem, temos ainda mais força para questioná-los porque então não pararam ainda de explorar os animais, já que possuem plena consciência de que o sofrimento das plantas também é importante e deve ser diminuído até que não mais exista. Esse pensamento de compaixão que eles dizem possuir pelas plantas seria ainda mais benéfico em relação aos animais, o que os deixaria numa posição muito incômoda afinal, a preocupação com as plantas requer um grau de sensibilidade ainda maior do que aquele que temos em relação aos animais.

Assim como coloquei no ensaio anterior sobre as plantas, sabemos que no momento devemos praticar a velha frase que nos diz: "Dos males o menor". Somente essa frase bastaria para vencer esse argumento. O animal sofre, eu vejo, a planta eu ainda "imagino", mas é com certeza um salto gigantesco passarmos direto do onivorismo para o biocentrismo e como estamos aprendendo a cada dia, nos moralizando a cada dia, do onivorismo passamos para o vegetarianismo e/ou para veganismo e um dia, quem pode dizer quando, para o Biocentrismo, o certo é que, no momento no qual nos encontramos devemos sempre nos questionar: diante de nossos olhos de aprendizes da harmonia com o Planeta e com os seres que nele vivem, qual sensibilidade nos toca mais? As Plantas sofrem? Claro, porque criam mecanismos de defesas contra doenças que, de algum modo elas "sabem", poderiam matá-las. E os animais, não sofrem? Fazemos o primário antes da faculdade ou fazemos a faculdade antes do primário? Se já somos biocêntricos é porque já passamos pela fase do veganismo, não há qualquer outra saída para essa questão.

Na verdade o argumento das plantas é a fuga mais fraca que pode ser usada contra os veganos, não há porque temer tal questão, ela só rebaixa mais a pessoa que pergunta do que o vegano que luta por uma ética melhor, não há porque alegar sobre SNV (Sistema Nervoso Central), sinapses, sobre a dor que podem ou não sentir, sobre lóbulos ou córtex cerebrais, nem sua individualidade ou racionalidade de escolher o que desejam, o Biocentrismo derruba tudo isso quando coloca a Vida, como "Bem primordial", e se somos capazes de pensar nos animais, pensaremos um dia nas plantas e se eles se preocupam mesmo com as plantas ao questionarem sobre elas a um vegano, nada mais provam do que sua total ignorância sobre o assunto. Não é possível ter compaixão pelas das plantas e continuar devorando animais, isso sim é irracional.

Talvez agora ainda não possamos defender o biocentrismo com o mesmo grau de força com que lutamos pelos Direitos Animais, embora haja quem já o defenda, mas com certeza ele não deve ser um assunto que deva permanecer escondido, aguardando o momento certo para aparecer, ele pode ser discutido, ampliado, estudado de forma a que, quando chegue sua hora, não tenhamos que nos debater novamente sobre antigas questões como razão, sensibilidade, senciência, porque as barreiras que erguermos hoje contra as plantas, seguramente um dia terão que ser derrubadas por aqueles que virão depois de nós.

Um degrau de cada vez todos subiremos ao topo da harmonia planetária e, assim como ocorre hoje com a abolição animal, sabemos que o Biocentrismo vai acontecer, e tal como está sendo difícil propagar pelo Planeta o fim da crueldade contra os animais, será difícil fazer o mesmo em relação às plantas, o que não podemos é fechar os olhos e estacionarmos na abolição animal como se ela fosse a última barreira a ser quebrada, porque estamos igualmente em evolução e caminhar por essa trilha pedregosa chamada ética, será sempre nosso objetivo. A intenção agora é fazer surgir na mente de cada um, uma nova reflexão que nos leve a questionar quais seriam as reais condições para que qualquer espécie possa ou não ser incluída em nossa comunidade moral, o objetivo não é se vamos ou não levantar a bandeira de uma ética Biocêntrica, mas impedir que as portas se fechem para ela bem como para qualquer um dos seres sésseis. Talvez ainda não tenhamos alcançado o biocentrismo, mas alcançaremos, assim como todos um dia alcançarão o veganismo, é assim que caminhamos sem nunca parar. O Biocentrismo virá para nós assim como o veganismo para os onívoros, talvez não seja o caso de lutarmos agora, talvez seja, quem pode dizer, pois sabemos que é preciso vencer uma guerra de cada vez, talvez também não seja o caso de nos incomodarmos tanto com quem questiona sobre as plantas, porque sabemos que é o medo da mudança que os faz agir assim e questionarem sobre coisas as quais eles desconhecem, sabemos que eles não querem ouvir a verdade sobre o que fazem e que não possuem outra munição a não ser os velhos chavões de sempre, para eles a vida dos animais é insignificante, tanto quanto a vida das plantas, afinal, basta questioná-los: eles são biocêntricos? São sim, seres antropocêntricos, que não conseguiram ainda reverenciar a Natureza, acham-se acima dela, sem contudo saberem que quando a destruírem, farão isso a eles e aos seus.

"Se a vida, a liberdade e a vulnerabilidade são critérios morais relevantes, e, se o sujeito moral deve considerar os sujeitos dessas características merecedores de apreço moral, suas decisões, projetos, ações e interações não podem violar nem prejudicar sujeitos vivos, livres e vulneráveis, pois essas características incluem no âmbito da comunidade moral todos os que as possuem, ainda que apenas na condição de pacientes e não de agentes morais" (Paul Taylor).

Se as plantas são agentes morais ou pacientes morais, se temos deveres morais ou não com elas, talvez ainda seja cedo para sabermos, já que a grande maioria do rebanho social precisa ainda aceitar que os animais devem sim, ser incluídos em nossa comunidade moral, porém o que deve ficar claro é que elas não podem, mais adiante, ficar fora dessa discussão, nem podem ser comparadas com objetos que nada sentem e nada buscam, elas estão vivas e possuem algo que as impele a lutar pela sobrevivência, se é algum tipo de consciência ou senciência, só o tempo nos dirá; o que devemos como abolicionistas, é jamais erguer barreiras mecanicistas porque sabemos hoje, o que tal atitude no passado, nos acarretou: o total desrespeito pelos animais. Devemos nos guiar, ao menos nesse primeiro momento, pelo princípio de nos alimentarmos de forma a causar o mínimo sofrimento possível, o que significa evitar a matança de animais e seres de consciência mais desenvolvida. Não repetir os mesmo erros é tornar o futuro um campo aberto para a moralidade e a ética da humanidade. Esse com certeza é o maior de todos os desafios da ética.  

Referências Bibliográficas

DESCARTES, René- Discurso do Método / Meditações

FELIPE, Sonia T. - Da Considerabilidade Moral dos Seres Vivos: A Bioética Ambiental de Kenneth E. Goodpaster

Reflexões sobre a sensibilidade das plantas: Texto original disponível em: http://www.uniblog.com.br/conscienciahumana/149874/reflexoes-sobre-a-atribuicao-da-sensibilidade-as-plantas.html ou http://mauricio-kanno.blogspot.com/2007/10/sensibilidade-que-as-pessoas-atribuem-s.html 

ARANTES, Tadeu - A mente oculta das plantas. A ciência descobre o surpreendente domínio da consciência vegetal- Disponível em

http: //galileu. globo. com/edic/98/conhecimento5. htm 

SINGER, Peter - Ética Prática / Vida Ética

RAVEN, P. H. ; EVERT, R. F. ; EICHHORN, S. E. - Biologia Vegetal. - 7º. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007 

COTTINGHAM, John - DICIONÁRIO DESCARTES - Jorge Zahar Editor - RJ 

PINHEIRO, Márcia. - A defesa das plantas contra doenças- Laboratório de genética Molecular Vegetal - Depto de Genética. 

SCHULTE, Neide Köhler - Da estética a ética ambiental Biocêntrica

SAGAN, Carl - Ligações Cósmicas

Entrevista de M. Night Shyamalan à George Musser, da Scientific American; Disponível em: http: //www2. uol. com. br/sciam/artigos/eu_vejo_pessoas_condenadas_imprimir. html

Agradecimento especial ao amigo Giridhari Das.

Notas

1 Texto original em http: //www. uniblog. com. br/conscienciahumana/149874/reflexoes-sobre-a-atribuicao-da-sensibilidade-as-plantas. html

2 Biocentrismo, é uma ética que tira dos animais humanos toda sua falsa superioridade, colocando-os como iguais diante de qualquer ser que busque sobreviver, que busque a vida; um ponto de equilíbrio entre todos os seres vivos.

3 Entretanto, têm uma característica que as distingue desses seres - são autotróficas. Autotróficos são aqueles que produzem o próprio alimento pelo processo da fotossíntese.

4 Organismos que não possuem capacidade de se locomoverem, vivendo presos a qualquer substrato, foram durante muito tempo, interpretados erroneamente, como se tais organismos não pudessem, de forma alguma, reagir a agentes externos, sendo que é possível as plantas reagirem a insetos e a outras plantas. 

5 Barreiras químicas são as toxinas que uma grande variedade de plantas possuem, um exemplo seria a citronela que espanta os insetos, já as barreiras físicas, como veremos, são os espinhos, as ceras, a espessura das folhas, que as impeçam de serem devoradas.

6 Fitolalexinas são conhecidas como substâncias repelentes produzidas pelas plantas, possuem inibidores contra fungos e são tóxicos para animais.

7 Nota-se aqui a planta não necessita ser senciente para reagir diante daquilo a qual se sente ameaçada, nem necessita dela para sobreviver como tem sido colocado por algumas pessoas. Embora as plantas não possam fugir, "criam" mecanismos para afastar os agentes agressores, o fato de não poderem se mover não as torna menos insensíveis a agentes externos, e não podemos desta feita, sair alegando que algo que não conhecemos não possui interesse quando vemos, que cria sozinha, mecanismos de defesa; não se pode julgar aquilo que não se compreende. Como ocorre tal mecanismo, é a questão não esclarecida pela ciência ainda, e que nos leva também a imaginar o porque de, mesmo desconhecendo a verdade, afirmarmos que elas não merecem nenhuma consideração que não seja a mesma com a qual julgávamos os animais há anos atrás, ou seja: Matar um animal ou arrancar uma árvore, qualquer dos dois atos fará mal a mim ou não? Não importando nesse caso, se fará mal à eles.

8 Segundo Paul Taylor, deve ser atribuído apenas a entidades possuidoras de bem próprio, seu reconhecimento é declarado de dois modos: independentemente de uma entidade ser valorizada de forma intrínseca ou instrumental, por algum avaliador humano; independentemente de uma entidade ser de fato útil para a busca da realização do bem de algum outro ser, humano ou não-humano, consciente ou não-consciente. Portanto, na teoria de Taylor, se um ser vivo possui bem inerente, este possui tal valor independentemente de qualquer valor instrumental ou inerente, e sem referência ao bem de qualquer outro ser. Se considerarmos as pessoas como possuidoras de bem inerente, então todas elas possuem o mesmo valor, sendo que é a personalidade a base de seu valor. É possível estabelecer a verdade da afirmação, de que uma pessoa possui bem inerente, ao mostrar que apenas esta forma de considerar as pessoas é coerente com a concepção de toda pessoa, como um ser racional, valorizado um centro autônomo de vida consciente. O mesmo tipo de argumento, segundo Taylor, também sustenta a afirmação de que todos os animais e plantas, no mundo natural, possuem bem inerente. ( Neide Köhler Schulte- Da estética a ética ambiental biocêntrica)

9 O Cogito (Penso, logo existo) não demonstrava, contudo, que os animais não eram seres vivos, tal como ninguém hoje descarta que as plantas o sejam, porém que os animais nada mais eram do que "vidas" ligadas a processos de natureza puramente mecânicos, assim como muitos acreditam que hoje, as plantas o sejam.

10 Talvez uma das maiores singularidades entre nós e as plantas seja o fato de que, tanto elas quanto os, animais, serem seres pluricelulares: "Os vários sistemas ou aparelhos - como o circulatório, o respiratório, o esquelético, etc. - constituem o organismo. São organismos: um pé de alface, uma laranjeira, um lobo ou uma ameba. No caso da ameba, que é unicelular, não encontraremos todos os níveis de organização, visto que, não existem tecidos, órgãos ou sistemas.

botao_ineditoTexto inédito.


 Simone Nardi
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Escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles.


Pensata Animal nº 21 - Março de 2009 - www.pensataanimal.net
Última atualização em Ter, 14 de Abril de 2009 20:58
 

Comentarios  

 
+1 #14 2010-01-21 18:13
Gostei imenso
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+1 #13 2010-01-04 22:47
Vale lembrar que a alimentaçao vegetariana / vegana nos traz saúde! Economia com medicamentos, muita vitamina etc... Enquanto o consumo de carne traz doença.
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+1 #12 2009-11-01 17:19
Excelente texto.
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0 #11 2009-07-01 06:14
Alguns argumentam que as frutas foram feitas para serem comidas, e nisso nao ha morte ou exploracao. Nao é verdade. Isso seria possivel se coletassemos as frutas na natureza, ou seja, se a planta tivesse se estabelecido naturalmente, ou comparando com animais, por “vontade propria”. Fazemos os pomares de forma artificial. Exterminamos as plantas que nao queremos, escravizamos as que nos servem. Temos controle total sobre suas vidas, escolhemos quando, aonde e como elas podem crescer. Nao tem diferenca do que fazemos com os animais.

Um ovo nao fecundado nao eh um ser vivo. Se eh saboroso, significa que co-evoluiu servindo de alimento para outros animais. Qual eh o problema do ovo entao? Que para nao ser fecundado, as galinhas precisam ser separadas dos galos. Precisam ser aprisionadas a vontade humana. O mesmo ocorre com uma fruta. Nao coletamos as frutas na natureza para espalhar suas sementes. Plantamos elas em pomares, da mesma forma escravista. O que fazemos com as sementes apos comer a fruta? Jogamos no lixo, ou fazemos novas plantas escravas. Em ambos os casos distorcemos a natureza para nossa vontade propria.

A fruta que compramos no supermercado, nao eh a mesma fruta livre, que evoluiu para disseminar as sementes. A fruta que compramos no supermercado eh uma fruta selecionada ao consumo humano, que nao tem como objetivo disseminar a sementes, mas sim servir de alimento ao homem. Nao eh um processo mutualistico, que o homem se alimenta e a planta se beneficia da dispersao da semente. O homem come o fruto e so usa a semente se lhe interessar. Nao faz sentido dizer que comer uma fruta eh mais digno do que comer um ovo.

Quanto a afirmacao que algumas plantas coletamos as folhas. Alguns animais sao capazes de se regenerar. Entao podemos cortar um pedaco dele e esperar regenerar para comer outro pedaco? O comentario eh um absurdo, apesar de tecnicamente possivel, mas serve para fazer um teste de percepcao. Temos a tendencia de colocar os animais em patamar superior aos demais organismos.

Gostei do termo Alfacismo (nova forma de facismo citada pelo Guilherm Müller no texto acima), tambem pode ser usado para fazer referencia a inferiorizacao dos vegetais para tornar os animais superiores, mais dignos. Sao seres diferentes, mas ambos de mesma dignidade.

Temos um excelente parametro para comparar a natureza da dieta humana. O paladar co-evoluiu com o sistema digestorio, logo se algo eh saboroso, significa que nosso organismo pode se alimentar disso. Somos onivoros por natureza, durante a evolucao a cadeia alimentar nos colocou nessa condicao, temos denticao, orgaos e enzimas que permite nos alimentar tanto de plantas, fungos, como de animais e outros organismos. Nao temos a natureza essencialmente herbivora, nao somos capazes de digerir celulose. Logo, pode-se nao comer produtos animais por opcao propria, mas nao pode se dizer que comer produtos animais é um processo anti-natural.

Vegetarianos devem continuar sendo vegetarianos, mas penso que devam ter a consciencia que estao comendo um ser vivo, como qualquer outro. Animais, plantas, fungos e outros organismos possuem a mesma dignidade. Nao eh porque uma planta nao eh parecida com um ser humano, que ela pode ser tratada como um objeto, como a maioria faz, e torna vegetarianos melhores que onivoros, ou vice-versa. Ambos habitos sao dignos e as opcoes de cada um devem ser respeitadas.

A essencia do que quero dizer, é que o que fazemos com as plantas nao é diferente do que fazemos com os animais. A unica diferenca que a percepcao humana eh mais sensivel a ter compaixao de organismos que sao mais parecidos com a gente.
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+1 #10 2009-06-18 05:47
Espero sinceramente que os membros do Pensata postem esse comentário, já que os demais que fiz (colocações )entre os dois textos, foi boicotado.

Cientistas alemães pesquisam "funções cerebrais" nas raízes das plantas

dw-world.de/.../...


Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrif t: Extremidades das raízes registram presença de luz ou substância tóxicaPlantas podem ser mais inteligentes do que parecem. Elas não têm cérebro como os animais, mas desempenham funções semelhantes às cerebrais, argumentam cientistas alemães.

Em conjunto com a equipe de pesquisadores de Stefano Mancuso, de Florença, na Itália, o cientista Frantisek Baluska, de Bonn, descobriu, em raízes vegetais, funções semelhantes às cerebrais. Estruturas citológicas, analisadas com auxílio de um microscópio, se assemelham a células cerebrais animais, afirmam os cientistas. "Esta pesquisa está, todavia, no começo", salienta Baluska. Por isso, ele prefere não falar de um "cérebro vegetal", mas usar a expressão "central de comando".

Como bolsista da Fundação Humboldt, o eslovaco Frantisek Baluska veio pela primeira vez à Alemanha nos anos de 1990. Hoje, ele pesquisa como livre docente nas universidades de Bonn e Bratislava. Para explicar o conteúdo de sua pesquisa, Baluska mostra, na tela de seu com[censurado]d or, a representação esquemática da extremidade de uma raiz.

Células da ponta da raiz

As linhas desenhadas sobre a imagem se assemelham, na tela do com[censurado]d or de Baluska, a um circuito. O cientista chama a atenção para uma determinada zona: uma camada de células acima da extremidade da raiz. Ele explica que tais células têm propriedades semelhantes àquelas do cérebro animal. São células muito ativas, embora não cresçam nem desempenhem outras funções especiais.

Elas transportam ínfimas bolhinhas (vesículas), preenchidas com substâncias, de um lado a outro. Microfilamentos de proteínas (filamentos de actina) conduzem as vesículas de transporte através das células. Trata-se dos mesmos filamentos de proteínas do esqueleto celular, responsáveis pelo movimento dos músculos tanto nos animais quanto no ser humano.

Bildunterschrif t: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrif t: Representação de raiz de milho"Algumas estruturas que encontramos remontam às sinapses, pontos de transmissão de estímulos entre as células nervosas", explica Baluska. Ali são trabalhadas informações que influenciam diretamente o comportamento das raízes. As extremidades das raízes registram, por exemplo, a presença de luz ou de alguma substância tóxica. A informação é então transportada para a região anterior à extremidade. Ali, os dados são registrados e repassados para as zonas de crescimento da raiz. A partir deste momento, a raiz passa a saber em que direção ela deve crescer e reage a essa informação dentro de apenas algumas horas.

"Essa forma de trabalho pouco se diferencia do cérebro no reino animal", afirma Baluska. O que acontece aqui no reino vegetal se assemelha a um sistema nervoso. Essa estrutura, segundo o cientista, executa as mesmas tarefas, embora apresente uma constituição bastante distinta. Essa interpretação de Baluska costuma suscitar críticas frequentes de outros especialistas.

Interação com mundo exterior

Bildunterschrif t: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrif t: Medição de impulsos em folhaO botânico Hubert Felle, da Universidade de Giessen, por exemplo, também estuda sinais em tecidos vegetais. No entanto, ele se expressa de forma bem mais cuidadosa que Baluska. Há muitos anos, Felle vem medindo sinais elétricos nas folhas de diversas espécies de plantas. No entanto, ele prefere não chamar isso de sistema nervoso botânico ou de neurobiologia vegetal. Felle, contudo, está também convencido de que as plantas utilizam sinais elétricos para reagir ao mundo exterior. Assim, elas têm a possibilidade de reagir a inimigos, como pulgões ou larvas.

Felle desenvolveu aparelhos especialmente para a pesquisa, com os quais consegue medir a transmissão de sinais elétricos. Com uma lâmina, ele provoca um "ferimento" numa folha de feijão, o que desencadeia um fluxo de impulsos elétricos de folha para folha. Felle salienta que não se pode falar aqui, contudo, de "dor" ou de "sensações vegetais".

Trata-se de sinais que possibilitam à planta uma reação de defesa. Segundo Felle, a velocidade desses sinais é, no entanto, relativamente baixa. Em um segundo, o sinal vegetal não consegue atingir nem mesmo um centímetro.

Nesse mesmo espaço de tempo, um sinal nervoso de um mamífero percorreria tranquilamente cem metros. Nas plantas, o envio de sinais é cerca de 10 mil vezes mais lento que nos animais. Resumindo: as plantas não são mais burras que os animais, elas só vivem em outra esfera de tempo.

Autor: Michael Lange

Revisão: Rodrigo Abdelmalack
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0 #9 2009-05-12 17:20
sobre a dor; Enfim, a senciência não é o único limite defensável da vulnerabilidade de um ser vivo. Um recém-nascido humano não tem consciência do mal que lhe podemos fazer. Nem por isso é justificável que lhe façamos mal. O mesmo vale para nossa consideração da condição de outros animais, ecossistemas naturais e plantas. Podemos lhes fazer imenso mal sem lhes causar um minuto sequer de dor ou sofrimento. A privação de suas condições naturais de vida é um mal nem sempre dolorido.
: Sonia T Felipe, provavelmente ela também está errada
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0 #8 2009-05-06 18:55
(tive que reescrever pois notei que o texto não sugiu no site, e acho de suma importancia a comparação entre os 3 textos.
Depois de ler os três textos, descobri que houve uma errata do amigo ao dizer que o pessoal do vista-se vinha ler os artigos do pensata, não porque não venham ler, mas porque o artigo por ele indicado tem mais a ver com o artigo de 2007 do que propriamente com este em questão, até porque no anterior a autora, assim como eles, não defendia a sensibilidade das plantas(o que eles podem vir a fazerdaqui há alguns anos), pelo contrario, até porque, como ela mesmo escreve, ocorreram mudanças, talvez ela tenha reeditado, reescrito não sei, suponho eu. Analisando os dois textos:

Podemos ver que ambos já começam de forma semelhantes, introduzindo o leitor ao assunto que será tratado a seguir.E seguem, coincidentement e, a mesma linha de pensamento, do primeiro até o último parágrafo, e em nada traz de semelhante com essse em questão(No Pensata)
Peguei apenas alguns trechos para fazer a comparação, a ordem que segui foi a mesma nos dois artigos:
************ *************** ********* *************** ***
Primeiro trecho

Texto de 2007- Todo vegetariano já foi questionado em sua vida sobre isso, o tema não é novo, mas está sempre nascendo na cabeça de alguém que, por acaso, ouviu falar isso ou aquilo sobre as plantas. Muitos indagam:
— Vocês não comem animais, mas e as plantas, afinal, elas também sentem dor.

Texto no site da Vista-se -Voltando a abordar as questões mais recorrentes que vegetarianos e veganos enfrentam, quero tratar de uma das mais populares entre os onívoros. Uma pergunta que sempre aparece, com variações: “mas e as plantas? Elas também não sentem? Porque devemos ter compaixão pelos animais e não por elas?”
*************** * *************** *******
Segundo trecho
E continua, emparelhado, até porque o assunto é o mesmo:
Texto de 2007 Conheço alguns vegans que disseram que tais pessoas agem de má fé, ou seja, fingem se interessar pelas plantas para poderem, nessa dis[censurado] de argumentos, continuarem a desprezar e a ingerir vísceras de animais, num pensamento, creio eu, mais ou menos assim:
“Se você come animais, não deveria comer plantas, e se come plantas, também faz mal a elas. Eu por exemplo, pesando os dois aspectos, sei que ambos possuem sensibilidade, por isso não há mal nenhum em ingeri-los, já que, tanto um quanto o outro sofrem igual.”

Texto encontrado no Vista-se, que o amigo disse ser baseado no artigo do pensata, mas como podemos acompanhar, é mais parecido com o de 2007: Por mais absurda que seja a questão, e por mais que eu esteja convencido que ela raramente é posta com propósito sincero, vale a pena se debruçar sobre ela, até para demonstrar a desonestidade de quem a coloca. Ela raramente é motivada por uma dúvida sincera sobre a diferença (ou não) nas implicações éticas do uso de animais e plantas por seres humanos. Geralmente é um álibi dos onívoros para justificar seus hábitos: “se não podemos ser éticos em igual medida com animais e plantas, então seria arbitrário poupar apenas um deles, sendo mais lógico e justo vitimar ambos”.
*************** **** *************** *********

Terceiro trecho
Texto de 2007 –Que trata a senciencia de forma bem humorada- O segundo é, qual dos dois seres possui maior capacidade de relacionamento homem-animal, ou seja, qual deles, comprovadamente , é mais senciente?
Nós temos cães como companheiros ou um pé de alface, a lógica aqui é raciocinar apenas levando-se em conta a senciência de ambos os seres vivos, afinal quem faz essa pergunta não passa a vida acariciando alfaces ou falando com elas.

Texto no site da Vista-se; Aqui entra a questão da senciência, que qualquer pessoa que se dê ao trabalho de investigar as razões do veganismo deveria conhecer. Senciência é o termo que usamos para explicar porque somos veganos. Resumindo, dizemos que os vegetais não têm senciência, ou seja, não sofrem.

************** *************** **

Quarto trecho.Ainda seguindo parágrafo por parágrafo de ambos:

Texto de 2007 Dos males o menor, só essa frase bastaria para vencer esse argumento.O animal sofre, eu vejo, a planta tem sensibilidade, não dor. Agora, pensando mais racionalmente, a tese de que as plantas são realmente sensíveis, viria mesmo a calhar, pois apoiaria ainda mais o não-consumismo da carne animal. Mais uma vez estaríamos usando a velha frase, dos males o menor, ou seja, melhor deixar o consumo de carne animal, que sente superiormente mais dor, e passar a ingerir vegetais ,do que ao contrário.


Inegável a comparação: com o texto encontrado no Vista-se que o autor indicou, mas, de algum modo parece não ter tomado conhecimento do texto de 2007 nem das coincidências argumentativas:
Texto indicado no vista-se: Podemos optar por causar mais dano ou menos dano. É sempre preferível, quando o dano é inevitável, causar menos dano. Creio que qualquer pessoa,. E o fato indiscutível é que comer e usar plantas diretamente causa menos dano, porque se temos que infligir dor, e podemos optar em infligir dano a animais E plantas ou só a plantas, o melhor a fazê-lo é causar dano só às plantas.
************** *************** *****

Quinto trecho
Aqui que me perdoem, mas não há como não se confrontar um pensamento de 2007(reitero que a autora disse 2006) com o argumento encontrado no texto indicado no site do vista-se

Texto de 2007- Um último detalhe a acrescentar as pessoas que se preocupam com a sensibilidade das plantas é que, o boi é um animal ruminante, e que no Brasil a agropecuária é de campo, e os bois que virarão bife se alimentam das plantas, ou seja, ao invés de você ajudar ao menos um, está matando duas vidas ao mesmo tempo.

Texto encontrado no vista-se: Até porque, afinal, os animais também comem plantas, e um boi, alguns porcos ou muitas galinhas comem muito mais plantas do que um ser humano comum. Se considerarmos o tanto de animais para consumo que existem no planeta, veremos quantas toneladas de plantas nós lhes damos para os comê-los depois, o que será revertido numa quantidade bem menor de carne, que além de tudo é um alimento mais pobre.
*************** *************** *********

Sexto trecho
Coincidência ou não o Texto encontrado e indicado na vista-se segue o mesmo formato e a mesma linha de pensamento do texto da autora de 2007:
Texto 2007- Os vegetarianos deveriam se preocupar com as plantas? Quem nega que um dia seremos todos frugívoros ?Quando descobrirmos que as plantas sentem dor, naturalmente mudaremos nossos hábitos, assim como mudamos quando vimos que os animais sofriam, e isso é inegável até para o carnívoro mais ferrenho, que defende as plantas ,porém não os animais. (mais adiante) Talvez os frugívoros sejam os únicos a terem alcançado uma alimentação totalmente livre de crueldade, os vegans estão fazendo a sua parte e os vegetarianos e os crudívoros as deles, e você, o que está fazendo em benefício dos animais e do Planeta onde vive?


Texto do site Vista-se; Se, em todo caso, a pessoa DE FATO se preocupa em poupar a vida das plantas, ela tem a opção de adotar o frugivorismo (frutos e frutas), que embora restrito e requeira muito cuidado, é viável. Não há, sob qualquer prisma, em qualquer sistema de crenças, qualquer dilema ético na alimentação frugívora, afinal, as frutas não são seres vivos, são parte do sistema reprodutor dos vegetais,
************ *************** *****
Eu não quis ser abrangente, apenas tentei mostrar que os textos(os 3 no caso) versam sobre o mesmo assunto sob perspectivas diferentes que o amigo poderia mesmo ter indicado o texto de 2007 , já que o da Vista-se é algo semelhante, até porque não defende também, a sensibilidade das plantas( e está indicado no próprio texto do pensata), visto que com o tempo a autora deve(suponho eu novamente e torno a repetir-me) ter reescrito, ou relido, e refeito nesse que aqui parece causar tanto furor para alguns amigos.

Perdoem-me os leitores, a autora, os amigos do site, mas é que não notei um interesse na critica que não fosse outro senão o de confrontar opiniões para trazer os leitores para o texto do vista-se, no que insisto, é muitíssimo semelhante o texto de 2007 da mesma autora, até mesmo na linha de raciocínio que segue , de seu inicio ao seu final.Seis trechos bem parecidos como pudemos notar.
Agradeço a todos, e me permito dizer que aqui, por mais que discordemos, não deveria ser feito um cabo de força de opiniões contrárias, isso em nada alavanca nossa luta.
Parabéns a autora, parabéns ao pensata, me encorajou a estudar o biocentrismo.

E o amigo diz: “Depois de um ou dois deles, as pessoas desistem de nos questionar, diante da fragilidade de seus próprios “argumentos”.

E o texto em questão os diz:
Na verdade o argumento das plantas é a fuga mais fraca que pode ser usada contra os veganos, não há porque temer tal questão, ela só rebaixa mais a pessoa que pergunta do que o vegano que luta por uma ética melhor, não há porque alegar sobre SNV (Sistema Nervoso Central), sinapses, sobre a dor que podem ou não sentir, sobre lóbulos ou córtex cerebrais, nem sua individualidade ou racionalidade

Parece-me que ao criticar o texto, o amigo esqueceu-se de dizer o que havia de bom nele, embora tivesse concordado com ele(mesmo que em partes) plenamente.A critica só é boa quando agrega alguma coisa, essa não me pareceu nem lógica, nem racional, apenas egocêntrica(pod e ser má interpretação minha também)longe de mim querer criticar alguém, apenas tentei equilibrar a balança, já que a indicação do texto me parece, foi mais por falta da leitura da indicação do texto que a própria autora faz, esse acredito eu, o pessoal da Vista-se deve ter lido.

Grande abraço a todos.
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+5 #7 2009-05-06 17:59
Leio já há algum tempo os artigos postados aqui, e as indicações que são fornecidas pelo site, porém, pareceu-me estranho essa “Animosidade” quanto a este artigo, até porque a pessoa que tão instigantemente (tanto que me instigou há em mais de um ano postar algo aqui), deixou comentários parecidos, o que me obrigou a fazer uma pesquisa na net. E “Que coincidência”(a ssim como ele diz), o pessoal que escreveu o texto, da vista-se me parece, parece também ter se baseado esse texto num texto(que a autora mesmo posta no fim) e que é de 2007( A autora disse 2006), um texto bem humorado , feito bem antes desse colocado abaixo e que, por coincidência(co mo disse o amigo) trazem a mesma idéia, ....

Como opinador silencioso(que eu era até então, me vi na obrigação de escrever) tomo também a liberdade de colocar aqui esse texto.....É possível notar, lembrando que esse é de 2007, bem mais antigo, que há certas semelhanças, o que me chamou a atenção pela colocação insistente do amigo acima.Até porque, ao ler o texto das Plantas postado aqui no site, não vi, em nenhum momento, como afirma o amigo, o texto insistir para que sejamos biocentricos, ele me parece mais, teria a função de negar o medo dos veganos em relação a esse tolo questionamento sobre as plantas e os animais e negar, e assino em baixo, a comparação IRRACIONAl feita por Francione de que as plantas são totalmente mecanizadas. Ao contrário também do que o amigo diz, o texto não trouxe teorias cientificas feitas em laboratório e não comprovadas, trouxe textos baseados em Botânica, que o amigo deveria ler para ver que são fatos comprovados(ao contrário do que ele diz).

“Não queremos comparar as plantas com animais, sejam eles humanos ou não-humanos- Texto acima - ("Nem a racionalidade nem a capacidade para sentir prazer e dor me parecem condições necessárias (embora possam ser suficientes) para a consideração moral. (...) Nada menos que a condição de estar vivo me parece um critério plausível e não arbitrário. " Kenneth GoodpasterTexto acima), o fato é que o texto mesmo mostra a impossibilidade ATUAL da mudança de Hábito ao dizer “mas é com certeza um salto gigantesco passarmos direto do onivorismo para o biocentrismo -texto acima) e tenta deixar um caminho aberto(o mesmo que o amigo reluta em deixar-se abrir ao colocar “Talvez agora ainda não possamos defender o biocentrismo com o mesmo grau de força com que lutamos pelos Direitos Animais, embora haja quem já o defenda, mas com certeza ele não deve ser um assunto que deva permanecer escondido, aguardando o momento certo para aparecer, ele pode ser discutido, ampliado, estudado de forma a que, quando chegue sua hora, não tenhamos que nos debater novamente sobre antigas questões como razão, sensibilidade, senciência, porque as barreiras que erguermos hoje contra as plantas, seguramente um dia terão que ser derrubadas por aqueles que virão depois de nós. Um degrau de cada vez .exto acima.

E o texto deixa a interrogação no ar, o que faz das Plantas as plantas, elas sentem, quando descobriremos isso?
E uma outra que acho de suma importância que o amigo leia( e não force todos a mesma reflexão que ele tomou, de forma tão insistente), e compreenda, é a seguinte, pois ele diz que o texto pede o biocentrismo “Se as plantas são agentes morais ou pacientes morais, se temos deveres morais ou não com elas, talvez ainda seja cedo para sabermos,) ou seja, ao contrario do que o amigo colocou que o texto diz que as plantas sejam agentes morais, (acredito ter sido erro de interpretação dele) o texto na verdade diz SE as plantas, SE, colocando se elas são ou não, ao contrário do “Elas são agentes”(como ele coloca que o texto diz), o texto diz(e insisto) Se elas são ou Não.

Mas vá la, como todo carnívoro bom de garfo defende seu bife os veganos também podem defender sua alface.
Vamos ao texto de 2007 que o amigo não desejou postar, mas que eu busquei para ler.

Plantas

Todo vegetariano já foi questionado em sua vida sobre isso, o tema não é novo, mas está sempre nascendo na cabeça de alguém que, por acaso, ouviu falar isso ou aquilo sobre as plantas.
Muitos indagam:
— Vocês não comem animais, mas e as plantas, afinal, elas também sentem dor.
Particularmente já me deparei com argumentos melhores, mas vamos lá, tirar da cabeça dessas pessoas suas dúvidas e mostrar-lhe na realidade, o que elas pensam quando perguntam tal coisa.
Há também aqueles que discutem um algo a mais que, segundo eles compreendem, as plantas além de sofrerem,são sencientes. O engraçado é que muitos sequer conseguem aceitar que os animais sejam seres sencientes, porém defendem energicamente nossas irmãs plantas.
Conheço alguns vegans que disseram que tais pessoas agem de má fé, ou seja, fingem se interessar pelas plantas para poderem, nessa dis[censurado] de argumentos, continuarem a desprezar e a ingerir vísceras de animais, num pensamento, creio eu, mais ou menos assim:
“Se você come animais, não deveria comer plantas, e se come plantas, também faz mal a elas. Eu por exemplo, pesando os dois aspectos, sei que ambos possuem sensibilidade, por isso não há mal nenhum em ingeri-los, já que, tanto um quanto o outro sofrem igual.”
O primeiro item a usar como base para essa discussão é:
Não se afastar do tema principal, ou seja, os animais e seu sofrimento.
O segundo é, qual dos dois seres possui maior capacidade de relacionamento homem-animal, ou seja, qual deles, comprovadamente , é mais senciente?
Nós temos cães como companheiros ou um pé de alface, a lógica aqui é raciocinar apenas levando-se em conta a senciência de ambos os seres vivos, afinal quem faz essa pergunta não passa a vida acariciando alfaces ou falando com elas.
Dos males o menor, só essa frase bastaria para vencer esse argumento.O animal sofre, eu vejo, a planta tem sensibilidade, não dor.
Agora, pensando mais racionalmente, a tese de que as plantas são realmente sensíveis, viria mesmo a calhar, pois apoiaria ainda mais o não-consumismo da carne animal.
Genial tal argumento:
“Se você se preocupa com a sensibilidade das plantas, faria ainda melhor com a sensibilidade dos animais, já que a olhos vistos, eles parecem sofrer mais do que elas.” (levando-se em conta de que, quem perguntou realmente se importa com tal sofrimento e não fez a pergunta apenas por fazer ou para ”testar” uma resposta)
Mais uma vez estaríamos usando a velha frase, dos males o menor, ou seja, melhor deixar o consumo de carne animal, que sente superiormente mais dor, e passar a ingerir vegetais ,do que ao contrário.
Claro que nem todos perguntam por má fé, há, e são muitas, pessoas que realmente acreditam na sensibilidade das plantas, eu também creio, já que em tudo há vida, tudo há sensibilidade e volto a perguntar:
Diante de teus olhos, qual sensibilidade lhe dói mais?
Você é capaz de debulhar uma espiga de milho, ou cortar brócolis e atirá-los dentro de um caldeirão de água fervente, mas faria isso, tal qual como falei, a um coelho, um boi, um porco ou um cão?
Já olhou nos olhos de um brócoli quando passa a faca em seu corpo? Qual a sensação?
Já olhou nos olhos de um animal que está sendo morto, qual a sensação?
Entenda bem que é a “Sua” sensação diante da morte de um animal.
Entre plantas e animais, segundo nos diz a ciência, qual deles possui o SNC(sistema nervoso central) mais complexo?
Músculos sensíveis a dor, visão sensível a queimaduras, estômago sensível a experimentos, etc, etc.
Não sabemos se as plantas possuem córtex cerebral ou lóbulos cerebrais como homens e animais, aos quais, comparativament e o DNA está mais próximo.
Dos dois seres em questão, qual deles tem maior individualidade , raciocínio, senciência/consciência?
As plantas sofrem ?
Os animais não?
Afinal me pergunto:
Qual o real motivo dessa pergunta sobre a sensibilidade das plantas?
Querer mostrar aos vegetarianos que eles estão errados ao deixar de comer animais, já que ingerem plantas e elas também sentem dor, ou seja, que são hipócritas ao pensar assim ou...e acredito muito nisso embora não deseje, abster-se de imaginar que os animais que eles ingerem sofrem, de forma que comer um ou outro acaba por não fazer diferença.
Há muitas outras coisas que não são visíveis aos nossos olhos em relação as plantas , porém nos são claras diante dos animais:
Abro aqui um espaço para lembrar ao amigo leitor que muita gente cultiva hortas em casa, porém bem poucos cultivam abatedouros.Há aqueles que dizem que amam os animais, tiram cães da rua, porem criam galinhas desde os ovos, alimentam-nas e depois as matam para alimentação.Isso seria amor??? Amor Verdadeiro???Ou um grande equivoco da pessoa???Continuando...
Medo de morrer.Sangue derramado nos abatedouros.Efeito de reação diante da dor, capacidades que não foram totalmente provadas pela ciência em relação as plantas, mas que, se fossem, e vamos abrir um vasto campo agora, o que faríamos?
Voltar a comer animais só porque descobrimos que as plantas sofrem?
De forma alguma, já que devemos usar a lógica da questão que é: Quem sofre mais diante da morte?Em questões de medo e dor?
Vamos convir que ambos não sofrem igual e isso é fato, SNC, motricidade, lóbulos cerebrais, sinapses. Será que as plantas são mais sensíveis do que os animais?
Mas, vamos supor, que as plantas realmente sintam dor e tenham medo. E nós, míseros mortais, nos abstendo de comer apenas carne, mas somos então um dos grupos mais seletos e mais corretos de todos, já que pensando assim, demos um grande passo para uma grande mudança; porém, não somos os melhores nesse aspecto e perdemos para alguns amigos muito mais adiantados nessa questão do que os crudívoros, vegans e vegetarianos que são nossos amigos frugívoros, que não comem vegetais e se alimentam de sementes e frutos, que não sentem dor já que acabam sendo de certa forma “descartados”, já que nascem , amadurecem e caem, se não forem colhidos apodrecem e se sentissem dor, já entraríamos em outro campo, o campo Divino e os motivos pelo qual “Ele” deixa pobres e inocentes frutas morrerem.
Somos seres buscando a perfeição, ao menos alguns, se não somos ainda perfeitos, temos ciência de que somos melhores que alguns e piores que uns outros, mas demos um importante passo para a nossa mudança e para a mudança do Planeta.
Os vegetarianos deveriam se preocupar com as plantas? Quem nega que um dia seremos todos frugívoros ?Quando descobrirmos que as plantas sentem dor, naturalmente mudaremos nossos hábitos, assim como mudamos quando vimos que os animais sofriam, e isso é inegável até para o carnívoro mais ferrenho, que defende as plantas ,porém não os animais.
E para aqueles que acreditam em Deus, acreditam mesmo que um dia Ele nos mataria de fome, conforme fôssemos caminhando em sua direção?
Um último detalhe a acrescentar as pessoas que se preocupam com a sensibilidade das plantas é que, o boi é um animal ruminante, e que no Brasil a agropecuária é de campo, e os bois que virarão bife se alimentam das plantas, ou seja, ao invés de você ajudar ao menos um, está matando duas vidas ao mesmo tempo.
Talvez a mesma discussão, tão difícil de ser compreendida hoje, pelos Diretos Animais, seja travada daqui há alguns anos, séculos, sobre o especismo direcionado as plantas, talvez lá adiante, sejam mesmos os frugívoros que estejam tentando mostrar que as plantas sofrem tal como os animais, e o que faremos? Na certa muitos que já não comem mais animais dirão que os frutos também sentem dor, e a história vai recomeçar, porque toda mudança moral é difícil nos seres humanos, mas elas acontecem, independentemen te de sua vontade.
" A saúde do homem é o reflexo da saúde da Terra".Heráclito
Nessa etapa de nossa caminhada é melhor fazer o bem aquele que ,diante de nós, sofre mais , percebe mais e se relaciona mais de forma inteligente conosco , ajudar o próximo mais próximo, é melhor do que não ajudar ninguém.Preocupar-se com as plantas é pular um degrau necessário que é , antes de tudo, a preocupação com os animais, já que o sofrimento deles urge, e nessa caminhada, tudo está a seu tempo.
Talvez os frugívoros sejam os únicos a terem alcançado uma alimentação totalmente livre de crueldade, os vegans estão fazendo a sua parte e os vegetarianos e os crudívoros as deles, e você, o que está fazendo em benefício dos animais e do Planeta onde vive?


Simone Nardi (texto esse que encontrei no site da autora, de 2007)
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+2 #6 2009-05-04 08:28
"Um dos princípios fundamentais da teoria da ética ambiental Biocentrica é que todos os animais, não importando quão diferentes sejam dos seres humanos, são seres que tem um bem próprio.Um segundo princípio , igualmente fundamental, afirma serem todas as plantas, semelhantes aos animais,possuid oras de um bem próprio."

Esse texto principal, só será compreendido daqui há uns dez anos, tal como muitos onívoros hoje, não possuem a visão do que fazem aos animais, alguns veganos também não aceitam a possibilidade de um dia(assim como nos diz o texto), as plantas ocuparem o lugar nessa batalha, é preciso antes de criticarm reconhecer-se em qual do tempo se encontra cada um de nós.Aqueles que mais negam a evolução, talvez sejam os que um dia dirão, que o texto estava correto.É preciso reler, para notar que o texto não pede, ele coloca que Um dia, as coisas possam mudar, e o segundo texto acima, nada traz de novo, apenas faz repeteco de muitos textos que puluklam pela net.Porque desunir??essa é a questão???
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0 #5 2009-05-03 18:12
que coincidência... o pessoal do vista-se (www.vista-se.com.br) deve estar lendo as matérias aqui do Pensata... bom, o Brune Muller fez um texto muito legal sobre o mesmo assunto... vale a pena ler para aprofundar-se mais :

vista-se.com.br/.../...

Inclusive, eu como "opinador", tomo a liberdade de copiar o texto aqui :

Voltando a abordar as questões mais recorrentes que vegetarianos e veganos enfrentam, quero tratar de uma das mais populares entre os onívoros. Uma pergunta que sempre aparece, com variações: “mas e as plantas? Elas também não sentem? Porque devemos ter compaixão pelos animais e não por elas?”

Por mais absurda que seja a questão, e por mais que eu esteja convencido que ela raramente é posta com propósito sincero, vale a pena se debruçar sobre ela, até para demonstrar a desonestidade de quem a coloca. Ela raramente é motivada por uma dúvida sincera sobre a diferença (ou não) nas implicações éticas do uso de animais e plantas por seres humanos. Geralmente é um álibi dos onívoros para justificar seus hábitos: “se não podemos ser éticos em igual medida com animais e plantas, então seria arbitrário poupar apenas um deles, sendo mais lógico e justo vitimar ambos”. Como veremos, há um oceano de distância nas implicações éticas do uso de animais e de plantas. Os pretensos defensores das plantas – que eu jocosamente chamo de “alfascistas” (conjunção de “alface” com “fascista”) – na verdade guardam parentesco com os relativistas e os realistas políticos. Como os primeiros, diante da impossibilidade de justificar seus desvios éticos, buscam apontar o dedo acusador para seus críticos, julgando que os erros que eles também cometem – mesmo que apenas presumidos – eximem-nos de responsabilidad e pelos seus próprios erros. Como os realistas, sugerem que a impossibilidade de chegar a padrões mínimos de moralidade e ética não apenas invalidam a busca por estes padrões, como justificam a ação totalmente desvinculada de ambos.

Geralmente a questão vem na forma da afirmação: “os vegetais também são seres vivos”. É aqui que começa a se mostrar a fragilidade de seus “argumentos”. De fato os vegetais são seres vivos. Mas alguns vegetais sequer precisam ser mortos para serem comidos. Tira-se a folha, ou o fruto, e o vegetal continua lá vivo. Também se pode deixar a raiz e o vegetal vai continuar a crescer. Agora, quando se tira o vegetal pela raiz, é inegável, ele morre.

A outra forma mais famosa de confrontar os vegetarianos é dizer: “os vegetais também sentem”. Essa, que na verdade é a questão central, não é de melhor valia para os alfascistas. Aqui entra a questão da senciência, que qualquer pessoa que se dê ao trabalho de investigar as razões do veganismo deveria conhecer. Senciência é o termo que usamos para explicar porque somos veganos. Resumindo, dizemos que os vegetais não têm senciência, ou seja, não sofrem. Agora, algumas pessoas mais bem informadas ou mais espertas ou mais interessadas em nos confrontar, podem alegar que existem estudos sobre a capacidade das plantas de “sentir” a agressividade do ambiente, ou o fato delas responderem a estímulos (como a planta dormideira, que se fecha ao ser tocada). Eis algumas formas de responder estas questões:

1. Os estudos sobre a sensibilidade das plantas são inconclusivos, nunca foram repetidos (pré-requisito para um experimento científico ter validade) e alguns cientistas consideram-nos como verdadeiras fraudes.

2. As plantas não têm sistema nervoso central, logo é impossível para elas sofrerem e sentir dor.

3. As plantas são fixadas na terra; elas não podem fugir de um predador, no máximo ter espinhos; o sistema nervoso e a sensação de dor servem justamente de alerta para que os animais fujam de perigo iminente - se a planta não pode fugir, pra que precisaria sentir dor? Senciência, para elas, é desnecessário; seria mesmo contraditório com sua própria condição.

4. Responder a estímulos não é igual a ter senciência. Até organismos não-vivos como células e proteínas respondem a estímulos. Mesmo que as plantas tenham algum tipo de sensibilidade, ela seria muito diferente da senciência dos animais. Mesmo os estudos que tratam da sensibilidade das plantas constatam isso. Elas podem ter mecanismos de defesa, atração, estratégias de dispersão de sementes ou mesmo captura de presas. Mas nada indica que elas experimentem dor ou sentimentos.

5. É provado que podemos viver sem explorar, matar, comer animais. Mas podemos viver sem plantas? Lembrando que usamos plantas não só na alimentação, mas para fazer várias outras coisas, desde produtos de higiene e limpeza, medicamentos, até roupas e utensílios domésticos e móveis. Viver sem usar plantas, se não for impossível, exigiria que voltássemos a viver na selva. No caso das plantas, portanto, pode-se alegar com muito mais propriedade que nossas vidas dependem dela - o que não é de modo algum verdadeiro no caso dos animais não-humanos.

6. Se a pessoa ainda assim acha que não há diferença entre usar plantas e animais - e acredite-me, ela só dirá isso se estiver competindo, e não dialogando, pois qualquer pessoa com bom senso (não precisa nem inteligência) é capaz de perceber a diferença - então pode-se dizer duas coisas:

6a. Podemos optar por causar mais dano ou menos dano. É sempre preferível, quando o dano é inevitável, causar menos dano. Creio que qualquer pessoa, a menos que seja nazista ou coisa parecida, terá que concordar com este princípio. E o fato indiscutível é que comer e usar plantas diretamente causa menos dano, porque se temos que infligir dor, e podemos optar em infligir dano a animais E plantas ou só a plantas, o melhor a fazê-lo é causar dano só às plantas. Até porque, afinal, os animais também comem plantas, e um boi, alguns porcos ou muitas galinhas comem muito mais plantas do que um ser humano comum. Se considerarmos o tanto de animais para consumo que existem no planeta, veremos quantas toneladas de plantas nós lhes damos para os comê-los depois, o que será revertido numa quantidade bem menor de carne, que além de tudo é um alimento mais pobre. Aqui percebe-se como até de uma pergunta banal, provavelmente debochada, pode-se extrair uma reflexão relevante. Se esse interlocutor hipotético acha mesmo que devemos consideração às plantas, ainda assim teria de ser vegetariano: produz-se e consome-se muito menos plantas se nos alimentamos diretamente delas, causando, conseqüentement e, menos dano não só aos animais, mas às próprias plantas e a todo o ecossistema. Tantas plantas sendo dadas a animais é desperdício de comida e uma pressão extra sobre as florestas remanescentes. É mais racional, sob todos os aspectos, alimentar-se diretamente de fontes vegetais. Além de poupar os animais, desse temos mais excedente de alimentos (ajudando no combate à fome, que é um fenômeno político) e ajudamos a reduzir a dependêndia da importação de alimentos e a derrubada de florestas.

6b. Se, em todo caso, a pessoa DE FATO se preocupa em poupar a vida das plantas, ela tem a opção de adotar o frugivorismo (frutos e frutas), que embora restrito e requeira muito cuidado, é viável. Não há, sob qualquer prisma, em qualquer sistema de crenças, qualquer dilema ético na alimentação frugívora, afinal, as frutas não são seres vivos, são parte do sistema reprodutor dos vegetais, e EXISTEM PARA SEREM COMIDOS, pois é ao comê-los que os animais espalham as sementes dos vegetais, permitindo assim que nasça uma nova geração deles. Mas daí cabe a ressalva do que mencionei no item 6: para ser coerente, o frugívoro não pode usar nada de origem vegetal, que é justamente o que os veganos fazem em relação aos animais.

Quem quiser saber mais sobre os estudos sobre a sensibilidade das plantas e sua contestação:

Quis ser o mais abrangente possível neste texto, para dar argumentos aos vegetarianos confrontados com essa “pegadinha” dos onívoros. Minha experiência mostra que raramente precisamos usar todos esses contra-argumentos. Depois de um ou dois deles, as pessoas desistem de nos questionar, diante da fragilidade de seus próprios “argumentos”.

*************** *

Abs e saudações fraternas !
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0 #4 2009-05-02 12:36
é eu acho que depois de algum tempo podemos sofrer auguma comcequemcia mas eu queria mesmo saber se as plantas pode ce defender da humanidade espero que vc possa responder isto ta manda oq vc axa pro meu msn obrigado pela atemção e quem quiser pode mandar auguma coisa pro meu msn tambem pra que eu possa entender este asumto.
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+3 #3 2009-03-22 07:49
Eu já pensava coisas semelhantes deste texto, prezada Simone.
Valeu por abordar este assunto de maneira aberta!
Um abraço veganamente fraterno,
Charles
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+2 #2 2009-03-17 09:39
Um artigo além de seu tempo.

É assim que compreendo esse texto.Acredito que a "ignorância" de muitos não lhes permitirá aceitar que um dia, as plantas realmente tomem o lugar no campo da Libertação.Como a autora mesmo diz, a hora talvez não seja agora.

Sempre tememos a mudança e isso não é proprio apenas dos carnívoros, mas de vegetarianos e veganos, acredito que muitos pensem como Francione, que compara as plantas a um motor de carro, talvez a pior colocação que eu já tenha ouvido até hoje.Mas diante do jurista todos se calam.

Simone, não desanime diante de uma critica destrutiva, pelo que compreendi, o erro foi mais pela falta de compreensão do que pelo texto em si. Daqui há alguns anos, tal como aconteceu quando diziamos que comer animais era crueldade, as pessoas talvez consigam entender a fundo suas colocações.

As plantas são seres vivos, e como você colocou, se são pacientes morais, agentes morais, realmente ainda não sabemos, não podemos nos fechar diante desse assunto, como tem sido feito e demonstrado, as vezes é preciso falar coisas que as pessoas não querem ouvir, e você tem coragem de ousar.

É fácil falar de coisas fáceis, difícil falar de coisas difíceis, e você caminha com equilibrio entre os dois.

Há quem acredite que comer carne é ilogico e irracional, fazer o quê?

A mim, é agradável ver que uns poucos, e cito Leon Denis aqui, Sonia Felipe, dentre uns poucos, que realmente conseguiram escapar do usual e ousaram desafiar mais, seja no campo filosofiso , biocentrico, o que se precisa é realmente, abrir portas, porque nem todas ainda foram destrancadas.

Sejam essas postar onivoras, vegetarianas ou veganas.
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0 #1 2009-03-16 08:48
Prezada Simone... sou obrigado a discordar do seu texto... Alegar que plantas possam ser agentes morais ou mesmo a alegar que pode-se vir descobrir-se que elas possuem senciência é extrapolar todo o conhecimento científico acumulado até o momento.

Os "estudos" que mostram que as plantas "sentem" alguma coisa nem são considerados sérios... Para piorar, usar na argumentação citações positivistas e cartesianas não me pareceu sequer correto. Enfim, não quero que meu comentário seja considerado como qualquer tipo de falácia ou ataque "ad hominem", pelo contrário. Sou como Rousseau : Acredito no direito da expressão, mesmo não concordando com vários dos argumentos (achei alguns falaciosos, mas não considero-me em posição de contra-argumentar de forma coesa).

Sem dúvida que o biocentrismo é uma condição ou meta a ser atingida, a citação do Kenneth Goodpaster é bem posicionada quanto a esta questão.

Enfim, o que levou-me a escrever o comentário foi mais a construção lógica do ensaio, com respeito às plantas e os argumentos utilizados. Pareceu-me fugir da razão e da lógica, quase estotérico... ;-) No mais, um gd abs e continuemos na defesa dos animais !
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