Glossário

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Luciano Carlos Cunha

Escrito por dmarski. Animal

Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:

Animal: [do lat. animale.] S. m. 1. Ser vivo organizado, dotado de sensibilidade e movimento (em oposição às plantas).

Segundo a definição do filósofo Arthur Schopenhauer, um animal seria todo ser que se separa de sua fonte de provimento ao nascer, e, devido a não conseguir absorver alimento apenas por mera excitação do organismo, faz-se necessário a presença da mente, pois precisará dali em diante se mover (por isso são animais, possuem movimento) com segurança para conseguir os nutrientes de que precisa e evitar o que é danoso para seu organismo. Tal condição está estritamente ligada com a presença da senciência (ver senciência a auto-consciência), ou seja, a presença de uma sensibilidade com relação aos eventos que afetam o próprio organismo, e uma consciência dessa sensibilidade, seja através do tato, visão, paladar, olfato, sonar, ou qualquer outro sentido que o organismo disponha.

Segundo Schopenhauer:

"Os graus cada vez mais elevados de objetividade da Vontade levam finalmente ao ponto no qual o indivíduo, expressando a Idéia, não mais pode conseguir seu alimento para assimilação pelo mero movimento provocado por excitação, pos esta tem de ser esperada. Aqui o alimento é de tipo mais especialmente determinado e, com a crescente variedade dos fenômenos, a profusão e o tumulto se tornaram tão grandes, que eles se perturbam mutuamente; de modo que o acaso, do qual o indivíduo movido por mera excitação tem de esperar o alimento, seria demasiado desfavorável. O alimento, por conseguinte, tem de ser procurado e escolhido desde o momento em que o animal sai do ovo ou ventre da mãe, nos quais vegetava sem conhecimento. Daí ser aqui necessário o movimento por motivo e, por isso, o conhecimento, que portanto aparece como um meio de ajuda (...) exigido nesse grau de objetivação da Vontade para conservação do indivíduo e propagação da espécie. O conhecimento aparece representado pelo cérebro ou por um grande gânglio; precisamente como qualquer outro esforço ou determinação da Vontade que se objetiva é representado por um órgão, quer dizer, expõe-se para a representação como um órgão. - Com esse meio de ajuda, (...) surge de um só golpe o MUNDO COMO REPRESENTAÇÃO com todas as suas formas: objeto e sujeito, tempo e espaço, pluralidade e causalidade. O mundo mostra agora o seu segundo lado. Até então pura e simples VONTADE, doravante é simultaneamente REPRESENTAÇÃO, objeto do sujeito que conhece.” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 214-215, grifos meus)

Referências bibliográficas

Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira. 2ª Ed. 1986.

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo Como Vontade e Como Representação. São Paulo, Unesp, 2005


Agradecimento à Camila Koerich pela indicação da definição de Arthur Schopenhauer.