| Alan Dawrst |
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| Dom, 20 de Setembro de 2009 11:59 |
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Tradução: Luciano Carlos Cunha Eu começo com uma citação do River Out of Eden por Richard Dawkins (pp. 131-32): "A quantidade total de sofrimento por ano no mundo natural está para além de qualquer contemplação decente. Durante o minuto que levo para escrever esta frase, milhares de animais estão sendo comidos vivos, outros correndo para salvar a própria vida, choramingando com medo, outros estão sendo lentamente devorados por dentro por parasitas; milhares de todos os tipos estão morrendo de fome, sede e doenças. [...] Em um universo de forças físicas cegas e replicação genética, algumas pessoas vão se machucar, outras pessoas estão terão sorte, e você não vai encontrar nenhum sentido ou razão para isso, nem qualquer justiça. O universo que observamos tem precisamente as propriedades que deveríamos esperar se não houver, no fundo, nenhum projeto, nenhuma finalidade, sem maldade e sem nada de bom, nada a não ser indiferença cega e impiedosa".
A evolução otimiza o sucesso reprodutivo ao invés de bem-estar individual. O resultado, como o economista Yew-Kwang Ng argumenta em seu "Towards Welfare Biology: Evolutionary Economics of Animal Consciousness and Suffering", é um mundo no qual a maioria das espécies têm muito mais crias do que irão sobreviver até a maturidade (às vezes, pondo milhares ou milhões de ovos por ciclo). E mesmo para os sobreviventes, a vida implica uma constante luta para encontrar comida suficiente, evitar predadores, e superar a doença ou lesão por poucos breves anos (ou meses) antes que a morte venha nas mandíbulas de um predador ou ao serem pegos por um parasita. A dor é uma poderosa ferramenta de motivação, e a evolução não tem nenhum escrúpulo em usá-la para o efeito máximo. A espécie humana se encontra em uma posição privilegiada entre a vida na Terra e talvez no cosmos em geral. Primeiro, nós experimentamos os altos e baixos emocionais, dores e prazeres que acompanham a vida dos animais sencientes em geral. Nós também somos subprodutos da evolução. Em segundo lugar, os seres humanos têm uma capacidade de empatia - imitar os estados cognitivos e emocionais de outros organismos e, em seguida, responder como se estivéssemos experimentando os sentimentos e pensamentos nós mesmos. Embora esta característica seja partilhada por outras espécies, não parece ser um resultado inevitável do processo evolutivo e é provavelmente muito rara entre a vida, até mesmo vida inteligente, em todo o universo. Finalmente, ao contrário de outras espécies empatas, os seres humanos têm as (ou estão em vias de desenvolvimento das) ferramentas tecnológicas não apenas, por exemplo, para adquirir alimentos e combater os inimigos, mas também para desafiar o diretamente o próprio processo evolutivo. Esta situação poderá, um dia, incluir a capacidade de modificar os substratos neurais da emoção para reduzir a ruindade do sofrimento, talvez substituindo sua função motivacional com o que o filósofo David Pearce chamou de "gradientes de bem-estar" (http://abolitionist.com/). Mesmo se isso não for possível, os seres humanos podem, pelo menos, prestar atenção e calcular as implicações das suas escolhas - sobre as mudanças ambientais na Terra e, especulativamente, na dispersão da vida senciente em outros planetas - na quantidade de sofrimento (e felicidade) darwiniano que será vivido pelos organismos individuais assim afetados. Acho que temos uma obrigação de exercer a nossa posição rara na história da vida para fazer o melhor que podemos em substituir as consequências do foco singular da evolução na sobrevivência reprodutiva das espécies por uma abordagem humana que valoriza ao invés as emoções de cada um dos organismos sencientes. Isto significará, em algum momento, mudar o mundo natural a fim de reduzir o sofrimento que muitos de seus habitantes agora passam em uma base diária. Eu não acho que a resposta é, digamos, cercar leões para que eles não possam comer gazelas (http://www.nybooks.com/articles/9822). Este tipo de manipulação ingênua da natureza corre o risco de dar um tiro pela culatra, talvez causando um sofrimento maior total através da superpopução de animais presas e da inanição subseqüente. Além disso, concentra-se em grandes mamíferos, com a exclusão de pequenos animais como ratos, sapos, peixes, e especialmente insetos, que - se eles estão sencientes - provavelmente contam por quase todo o sofrimento no planeta. Se os seres humanos esperam ter sucesso em ajudar os animais selvagens de uma forma significativa, precisamos ter uma abordagem mais fundamental, uma que vai exigir um conhecimento muito maior e capacidade tecnológica do que temos no momento. O que isso tudo implica para os defensores dos animais? Acho que a coisa mais importante que podemos fazer é promover a idéia de que o sofrimento dos animais silvestres importa e é um sério problema ético. Câncer, malária, violência sexual e depressão são resultados "naturais" do processo de otimização da evolução, ainda assim, consideramo-os, com razão, males a serem resistidos; devemos incentivar as pessoas a perceber que as crueldades que a natureza inflige a seus habitantes não-humanos são tão eticamente intoleráveis quanto - na verdade, mais ainda, pois o número de organismos afetados no último caso, é ordens de magnitude maior. Ao escrever artigos e mensagens de fórum, conversando com os ativistas e filósofos, e mantendo conversas públicas, os defensores dos animais podem ajudar a tornar os animais selvagens uma prioridade moral significante guiando a inovação tecnológica - bem como assegurar que os seus prazeres e dores sejam considerados seriamente antes dos seres humanos realizarem ações que podem aumentar consideravelmente o número dos que existem. Eu acho que não agir para ajudar os nossos semelhantes no estado selvagem seria uma abdicação de uma oportunidade especial que nós humanos temos de substituir a "indiferença cega e impiedosa" da natureza com o melhor que a nossa empatia tem a oferecer. Original em inglês I begin with a quote from River Out of Eden by Richard Dawkins (pp. 131-32): The total amount of suffering per year in the natural world is beyond all decent contemplation. During the minute it takes me to compose this sentence, thousands of animals are being eaten alive; others are running for their lives, whimpering with fear; others are being slowly devoured from within by rasping parasites; thousands of all kinds are dying of starvation, thirst and disease. [...] In a universe of blind physical forces and genetic replication, some people are going to get hurt, other people are going to get lucky, and you won't find any rhyme or reason in it, nor any justice. The universe we observe has precisely the properties we should expect if there is, at bottom, no design, no purpose, no evil and no good, nothing but blind, pitiless indifference.
The evolutionary optimizes for reproductive success rather than individual well-being. The result, as economist Yew-Kwang Ng argues in his "Towards Welfare Biology: Evolutionary Economics of Animal Consciousness and Suffering," is a world in which most species have far more offspring than will survive to maturity (sometimes laying thousands or millions of eggs per season). And even for the survivors, life involves a constant struggle to find enough food, avoid predators, and overcome sickness and injury for a few brief years (or months) before death comes at the jaws of a predator or the grip of a parasite. Pain is a powerful motivational tool, and evolution has no qualms about using it to maximum effect. The human species finds itself in a rare position among life on earth and perhaps in the cosmos more broadly. First, we experience the emotional ups and downs, pains and pleasures that accompany sentient animal life generally. We too are byproducts of evolution. Secondly, humans have a capacity for empathy -- for modeling the cognitive and emotional states of other organisms and then responding as though we were experiencing those thoughts and feelings ourselves. While this trait is shared by other species, it does not appear to be an inevitable result of the evolutionary process and is probably quite rare among life, even intelligent life, throughout the universe. Finally, unlike other empathetic species, humans have (or are in the process of developing) the technological tools not just, e.g., to acquire food and fight off enemies, but also directly to challenge the evolutionary process itself. This may, one day, include the ability to modify the neural substrates of emotion to reduce the badness of suffering, perhaps replacing its motivational function with what philosopher David Pearce has called "gradients of well-being" (http://abolitionist.com/). Even if this is not possible, humans can at least pay attention to and calculate the implications of their choices -- regarding environmental changes on earth and, speculatively, the dispersion of sentient life to other planets -- on the amount of Darwinian suffering (and happiness) that will be experienced by the individual organisms so affected. I think we have an obligation to exercise our rare position in the history of life to do the best we can in replacing the consequences of evolution's singular focus on reproductive survival of species with a humane approach that values instead the emotions of individual sentient organisms. This will mean, at some point, changing the natural world in order to reduce the suffering that so many of its inhabitants now endure on a daily basis. I don't think the answer is to, say, fence off lions so that they can't eat gazelles (http://www.nybooks.com/articles/9822). This type of naive manipulation of nature is likely to backfire, perhaps causing more total suffering through prey-animal overpopulation and subsequent starvation. Moreover, it focuses on large mammals to the exclusion of small animals like mice, frogs, fish, and especially insects that -- if they are sentient -- likely account for almost all of the suffering on the planet. If humans are to succeed in helping wildlife in a significant way, we need to take a more fundamental approach, one that will require much greater knowledge and technological capacity than we have at the moment. What does all of this this imply for animal activists? I think the most important thing we can do is to promote the idea that wild-animal suffering matters and is a serious ethical issue. Cancer, malaria, sexual violence, and depression are all "natural" outcomes of evolution's optimization process, yet we rightly consider them evils to be resisted; we should encourage people to realize that the cruelties that nature inflicts on its nonhuman inhabitants are just as ethically intolerable -- indeed more so, since the number of organisms affected in the latter case is orders of magnitude higher. By writing articles and forum posts, talking with activists and philosophers, and holding public conversations, we animal advocates can help make wild animals a significant moral priority guiding technological innovation -- as well as ensuring that their pleasures and pains are considered seriously before humans undertake actions that might vastly increase the number of them that exist. I think that failing to act to help our fellow creatures in the wild would be an abdication of a special opportunity that we humans have to replace the "blind, pitiless indifference" of nature with the best that our empathy has to offer. Alan Dawrst webmaster@utilitarian-essays.com Utilitarista americano interessado em maneiras práticas, de boa relação custo X benefício, para reduzir a quantidade esperada de sofrimento no multiverso. Autor do site Essays on Reducing Suffering e do blog Reducing Suffering, Alan apoia a investigação filosófica para compreender como as descobertas em cosmologia, teoria da decisão, psicologia, estatística e ciência da computação afetam crucialmente a nossa resposta à pergunta de qual a melhor forma de "fazer bem" no mundo. |






